domingo, 10 de março de 2013

Capítulo 2: Entrei no campo inimigo 

Chelsea foi parar no Brooklyn, bem distante do Central Park.
- Como que...? Argh, que cansaço.
- Você jura que não sabe? - um garoto de cabelos cacheados, calça cumprida, sapatos longos e redondos,  que fez Chelsea pensar que ele devia gastar uma grana para vestir seus pés, porque ele teria que mandá-los fazer.
- Ãhn?
- Você jura que não sabe? - repetiu o garoto, acariciando sua barba curta.
- Hey, eu entendi o que falou! Só queria saber o porque desta pergunta!, afinal, quem é você para se meter na minha vida, feioso? - mudou seu semblante, tornando-o nervoso. Fitou o garoto, com desdém. Mediu-o.
- Ora, ora! Que falta de educação! - o garoto encarou Chelsea, nervoso. Cruzou os braços.
- Vai se danar, feioso. Aí, você tem um trocado?
- Porquê?
- Porque eu estou mandando, que saco! - Chelsea foi até o garoto, colocou seu cotovelo no cangote dele; pressionou-o - Qual é o seu nome?
- Greggorius. Greggorius Williams. E, me solte!
 Chelsea apalpou os bolsos de Greggorius. De lá, retirou um punhado de moedas douradas, drácmas, e alguns dólares. Ao continuar a apalpá-lo, sentiu uma fofura em suas pernas. Então, ela brandou:
- Que nojo! Você não se depila?
- Ér... béé! Ops.
- Que cara maluco. Enfim, isso deve valer bastante - fitava as moedas douradas - e, já que tanto insiste, vou ficar com elas.
- Não! Eu preciso delas! Bééé!
- Para com este "Bééé!", que saco cara. Ou vai me obrigar arrancar suas cordas vocais; aí você não vai mais falar "Bééé!".
 Chelsea soltou ele, e em seguida foi com os punhos cerrados à maça facial de Greggorius, que a impressionou, dando um salto para direita, e aplicando uma rasteira nela; o que a levou ao chão. Isso a deixou muito irritada. Chelsea não teve reação, ficou jogada no chão, sem saber o que houve, tentando entender o que ele fez.
- C...Como... ou...sa? - suas falas tornaram-se falhas, sua respiração fadiga, suas pálpebras pesadas; o garoto estaria tocando em uma flauta, e a melodia causou estas sensações.

Chelsea começou a sonhar, estava em Paris, em um restaurante francês fino. À frente de um casal, que vestia roupas bem antiquadas. Eles conversavam, apaixonadamente. Chelsea percebia algumas semelhanças entre eles e ela. Sua cabeça doía, mentalmente. Ela tentava se lembrar de algo. Queria gritar. Tentou chamar a atenção deles, dando tapas. Mas, os tapas iam ao vácuo, como se o casal fosse etéreo. Enfim, Chelsea resolveu prestar atenção na conversa.
- ... eu estou grávida. E, isto pode ser um grande problema ou uma salvação à mim, e o restante. Estou fugitiva há algumas semanas. Se não notaram minha ausência, irão notar logo. E, isto pode trazer perigos à mim, ao nosso filho, e a você. - a mulher de cabelos negros e olhos penetrantes negros iniciou o diálogo.
- Que ótimo! Vou ser pai. Isto é.. incrível! Sempre...
- .. Jared Fiore! Acorde! Você não é uma criança. Sabe o que este filho pode trazer à nós: perigo, ou salvação. Preciso permanecer escondida. Irei sumir durante um tempo. Não voltarei. Só irei voltar quando o parto acontecer. Enfim.
- Não! Eu não admito! Eu vou junto! - protestou Jared.
- Não, amor. É melhor assim. Você tem que entender. Este é o melhor para ele, ou ela.
- Por favor! - insistiu Jared.
A mulher sumiu, perante Jared. Não sabia o que os humanos acharam daquilo. O que a névoa fez. Mas, todos ficaram de pé, e aplaudiram. Jared chorava. Mas, de uma coisa Chelsea tinha certeza: aqueles eram os seus pais.

 Chelsea acordou. Ela estava em um quarto simples, rodeada de garotos e garotas, com alguns equipamentos medicinais, e algumas ervas.
- Eu disse que um pouco de ambrosia  resolveria tudo! - brandou um dos garotos, erguendo o braço direito, com orgulho de si mesmo.
- Cala a boca, Kevin! - a garota de cabelos dourados e encaracolados jogou sua cabeça, lançando os cabelos ao vento.
- Parem de discutir!, que saco. Se não pararem, eu mesmo vou obrigá-los a parar!
- Nossa, "esquentadinha". Ui! - brandou Kevin, com um sorriso malicioso no rosto.
- Você ainda não viu nada, babaca. Se eu fosse você, eu calaria a sua maldita boca. - brandou Chelsea, se levantando da maca, com os punhos cerrados e as sobrancelhas arqueadas, intimidando-os.
- Calma, calma! - Kevin e o restante dos garotos e garotas se afastaram, boquiabertos - Filhos de Apolo são assim, brincalhões, é..
- Tanto faz. - retrucou Chelsea.
 O que Chelsea não havia percebido, é que eles trocaram suas roupas. Ela vestia um shorts surrado, e uma camisa laranja com o letreiro: "Half-Blood". Seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo, e sua pele estava limpa, sem qualquer sujeira.
- O que fizeram comigo? - perguntou Chelsea, nervosa pelo seu estado extremamente feminino.
- Ah, sabe.. os filhos de Hebe com os filhos de Afrodite fazem um bom trabalho, não acha? - uma garota incrivelmente bela entrou pela porta, com sua roupa lisa, sem quaisquer defeito, cabelo liso até o ombro, e olhos azuis claros. Sua pele não tinha defeitos, nem uma acne ou qualquer outra coisa que as adolescentes teriam.
- Nossa, que patricinha. Quem é essa aí? - pergunto Chelsea, com um tom irônico.
- "Essa aí" tem nome. E o nome é Susan. - a garota falou, em um tom suave e sedutor. Os garotos suspiravam de paixão, ao ouvir sua voz doce e sedutora, e seu corpo extremamente invejado.
- Foda-se, eu não quero saber seu nome. Sua.. sua... - Chelsea pensou que xingamento poderia achar para ofender uma pessoa extremamente linda.
- Sem argumentos, né fofinha? - Susan era provocante. Ela pegou um gloss de melancia dos bolsos, e passou nos lábios, o que levou os garotos à loucura.
- Sua... patricinha ridícula! Lacraia de purpurina! - brandou Chelsea, batendo as mãos na maca.
Chelsea se levantou da maca, indo contra Susan, com os punhos cerrados, e os olhos vidrados. Todos começaram a gritar, entusiasmados com uma possível briga que estaria para acontecer.
- Nossa, que bruta. Tinha que ser, hihi. - Susan deu um tapa em seu cabelo, lançando-o para trás.
- Eu vou deixar sua cara bem bonita.. sua patricinha!
 Chelsea partiu contra Susan. Susan retirou de seu coldre um chicote, impactando-o contra os pés de Chelsea, laçando-o. Em seguida, puxou o chicote, levando Chelsea para o chão.
- Argh!
- Não tem experiencia com batalhas, né amor? - Susan deslizou a ponta de sua língua nos lábios, molhando-os. Com isto, arrancou mais suspiros dos garotos - Quer retocar a maquiagem? Posso te ajudar, se quiser. Hihi.
- Não? Você vai ver!
 Antes que Chelsea pudesse retrucar, um sátiro entrou no local, sibilando loucamente.
- Mocinhas! Parem, como ousam? Susan, já para o chalé de 10 (dez)! Bééé! - o menino-bode ordenou que Susan se retirasse, tentando se proteger de seus feitiços mentais.
- Argh, Norman!
- Já, já, já. - gritou Norman, e após sibilou: - Bééé!
- Bom, garota.. qual é o seu nome?
- Chelsea. Chelsea Fiore!
- Hm, belo nome. Enfim, aqui é o Acampamento Meio-Sangue.
 Chelsea olhou o garoto com atenção, com desdém. Ela notou que ele não usava calças, e teria pelos. Seria metade bode.
- O que é você? - perguntou Chelsea.
- Eu sou um Sátiro. Um ser da natureza. Ainda sou inexperiente, só sirvo para buscar os semideuses. Mas, eu tenho certeza que no futuro vou me juntar ao Conselho do Casco Fendido! - confiante, Norman falava de seu sonhos; seus olhos enxiam de lágrimas.
- Hm, é bom sonhar. - murmurou Chelsea.
- Ahn? O que disse?
- Ah, nada. Esquece.
- Tá. Bééé.
- Para com esse "bé", que chato.
- Tá, bé. Vou te mostrar o acampamento, béé?
- Tanto faz. - se retirou da enfermaria, empurrando as portas com tudo. Olhou com vislumbre o exterior da enfermaria, os diversos seres: centauros, náiades, dríades. Os campistas que andavam pra lá e pra cá. As grandes construções - Isto é.... - mas, uma voz falou em sua mente que ela não devia confiar neles. Que aquele não era o seu lugar - .. ridículo.
- Nossa! Achei que ia gostar. Béé! Você tem quantos anos?
- 14 (catorze).
- Ué, já devia ter sido reclamada. Quer dizer, você sabe quem é o seu pai divino?, ou mãe.
- Não. Não sei. Quer dizer, meu pai é o Jared Fiore. Mas, minha mãe eu não sei.
- Hm, Jared Fiore... não é um Deus. Então, sua mãe que deve ser uma Deusa.
- Claro, né.
 Norman contou sobre os Deuses, e sobre a função do acampamento. Chelsea não parecia surpresa.
- De alguma forma, eu sei disso. Não precisa continuar a contar. Mas enfim, onde eu vou dormir? Estou com sono, cara.
- Você dormirá no chalé 11 (onze). É lá que os não-reclamados vão. - Norman ditou à ela. Em seguida, levou-a à região dos chalés, apontando com o dedo indicador o chalé onze. Ele teria um caduceu, que ganhava destaque. Sua parede era surrada.
- Nossa, que porcaria. Mas, beleza.
Chelsea entrou no chalé, que estava vazio. Os outros semideuses estavam fazendo suas atividades diárias. Ela se sentou em uma das camas, pensativa.
 Eu sinto que aqui não é o meu lugar. Que isto não me levará a minha missão. Mas, também sinto que aqui será o local onde aprenderei à executar minha missão. Que confuso! pensou Chelsea, tentando se lembrar de algo de seus sonhos, que possa ser a chave para este mistério.
 Depois de um tempo, a garota fitou um cartaz velho, e rasurado, que descrevia as atividades do acampamento. Às 14:30, daqui à, aproximadamente, uma hora teria Caça a Bandeira.

sábado, 9 de março de 2013


Capítulo 1: Presa? Jamais


 Chelsea não aguentava mais correr. À todo momento olhava para trás, fitando a grande fumaça que se alastrava e em poucos segundos cobriu o céu. Ouvia-se uma sirene estridente e longa, das ambulâncias e carros de bombeiros.
 Entrou em um beco sem saída, com uma comprida grade enferrujada no meio, que impedia Chelsea de prosseguir. Os ratos faziam barulhos irritantes, e escalavam as cordas, para chegar ao topo de uma lixeira. As baratas estavam fugindo, à cada passo de Chelsea. Sem hesitar, a garota escalou a grande, se deparando ao outro lado do beco; assim, ela continuou à seguir, sem rumo decidido.
 
 Quando viu, Chelsea estava na frente do McDonald's, com a sua roupa encardida, a face suja e as roupas rasgadas. Levou seu olhar a lua, que ganhava destaque no céu escuro, com algumas nuvens rodeando-a. 
 Por estar sobre a escuridão, teve seus instintos aguçados. Então ela se concentrou, até se tornar pura escuridão, como uma sombra.
- Hm, eu amo fazer isto. Agora, é hora do lanche.
 A garota entrou no McDonald's, sem deixar rastros ou fazer barulhos. Em seguida, se escondeu abaixo de uma mesa, se camuflando na sombra dela. Ela controlou sua respiração, tornando-a mais lenta e menos barulhenta.
 As pessoas que estavam na mesa que ela se escondia, brincavam loucamente. Duas crianças com os seus prêmios do McLanche Feliz corriam em torno da mesa; até ir contra a mesa, e liberar grande poeira em Chelsea, inclusive em suas narinas - o que ela rezou para não acontecer. Tampou suas vias respiratórias, tentando não inspirar a poeira e espirrar, pelo fato de ser alérgica à poeira.
 Após chegou uma garçonete. Ela tinha cabelos presos em um coque, com uma pequena porção de fios, mesclados com rosa e roxo, sardas espalhadas pela face, olhos castanhos claros, unhas roídas sem tintura alguma, uniforme beje apertado, que mostrou a barriga circular da garota. Ela era uma adulta que Chelsea jamais gostaria de se tornar: feia. Chelsea, sem hesitar, foi até a sombra da garçonete, se camuflando nela.
 Com certeza eu não quero ser assim. Argh, que fome pensou a garota, enquanto caminhava junto à sombra da garçonete, até chegar a cozinha.
 A cozinha era bem organizada. A pia era de inox, e os balcões limpos e cheirosos. As paredes eram bejes, floridas. Os trabalhadores gesticulavam de um lado ao outro, tirando hambúrgueres prontos, batatinhas-fritas e refrigerantes postos em copos grandes, com o logotipo "Coca-Cola".
 Chelsea rapidamente foi até o balcão, e se escondeu nele, se camuflando nas sombras dele. Ela esperou o momento certo, até que agarrou um hambúrguer do balcão, furtivamente, e levou-o à boca, devorando-o. Apressada, deixou cair um copo de refrigerante no chão, o que chamou a atenção de todos.
- Quem fez isso? - um dos trabalhadores que estavam lá no fundo perguntou.
- Não sei. Sheeron, pode arrumar isto? - um moreno, alto foi até uma garota, magra com os cabelos presos em um coque. Ela assentiu, sem hesitar.
- Tudo bem, Stephan. - retrucou Sheeron.
 Preciso sair daqui, urgente! Eles não podem me descobrir, já aprontei demais hoje Chelsea pensava constantemente, tentando achar alguma saída para a situação.
 Sheeron, a trabalhadora, chegou com um pano, um rodo e um balde de produtos químicos. Ela molhou o pano com brutalidade no balde, encharcando-o. E, após, ela o enrolou no rodo, e deslizou sobre o piso, limpando-o. Sem querer, o rodo bateu em Chelsea, que aparentemente não era nada, perante as vistas de Sheeron, por ser pura escuridão. Sheeron gritou, e se afastou
- Stephan! Tem.. uma coisa aqui! - alertou Sheeron, abismada.
- Como assim, Sheeron? - Stephan retrucou, cerrando a sobrancelha. 
 É.. é a única saída Chelsea cutucou os pés de Sheeron, o que a fez gritar empurrar todo mundo, até sair da cozinha. Vários outros trabalhadores fizeram o mesmo. Chelsea ganhou tempo suficiente para sair correndo, e agarrar alguns alimentos. Sem hesitar, pulou pela janela, quebrando-a. Graças aos Deuses, a altura era pequena, o que não a deixou machucada.
 Ela foi contra uma parede, o que magicamente não a fez sentir dor. Ela simplesmente desapareceu. Entrou na sombra.
 De um modo muito estranho, ela apareceu no Central Park. Havia feito uma Viagem das Sombras.
- Estou.. cansa.. - desmaiou, caindo contra o chão. E assim, começou a roncar.

 Sonhou com a mesma voz de todos os seus outros sonhos - uma voz feminina, fadiga e pavorosa. Uma imagem apareceu na frente de Chelsea, era de uma mulher, de olhos fechados. Sem mexer sua boca, palavras entraram na mente de Chelsea. Ela tentava contestar, falar com ela, mas não conseguia. Parecia muda. Enfim, ela ditou: Minha filha, filha da noite. A hora está chegando, o seu desafio está se aproximando. Espero que nos ajude, foi por isso que foi criada! Não aguento mais, quero sair desta prisão. Se falhar, não irei perdoar-te.
 Chelsea ficou um bom tempo sem sonhar, apenas dormindo. Então, ela acordou.

 Ao abrir os olhos, viu diversos pombos em cima dela. E alguns homens e mulheres olhando-a, com extremo desprezo e dó. Ela ficou irritada, de imediato. Então, se sentou.
- O que é isto?! Que horas são?! E, porque estão me olhando? - Chelsea percebera que um mendigo estava mexendo em seus cabelos, acariciando-a - Me solta, cara! Que nojo! - Deu uma cotovelada na cara do senhor, desnorteando-o. Em seguida, começou a andar pelo Central Park, com suas roupas rasgadas e sujas. Sua pele negra. Seu cabelo bagunçado. Diversas pessoas olhavam para ela, notando sua aparência e seu modo de andar, desleixadamente - Isso deixou Chelsea totalmente irritado, pode crer.
- Vocês perderam algo? Ou estão querendo achar? - tentou parecer intimidadora, mesmo que a situação não deixasse: as roupas rasgadas, o cabelo alvoroçado, a pele suja. Chelsea acreditava que ela estava fazendo um papel de louca, que fugiu de um hospício, do que de uma valentona que estava pronta para bater em quem tentasse interferir alguma coisa.
 Assim, ela parou em um lago, e tirou suas roupas, uma à uma. Lançou as roupas para o lago, molhando-as. Nua, caminhou até o lago, se banhando no mesmo. As pessoas continuavam a segui-la, ligando para polícia e para alguns hospícios públicos.
- Hey, vocês perderam uma louca? Tem uma menina de cabelo preto aqui no Central Park. Ela é doidinha, fala sozinha. Sem contar que está tomando banho pelada - uma voz feminina murmurava ao telefone.
- Polícia, tem uma garota tomando banho no Central Park. - um homem idoso tagarelava no telefone, acionando a polícia.

 Depois de alguns minutos, o lago era rodeado por alguns policiais, armados. Eles apontava suas pistolas para Chelsea, como se ela fosse uma débil-mental.
- Saia com as mãos para cima. E, vista-se. - um policial bradou, ganhando a atenção do público.
- Como quer que eu me vista com as mãos para cima?, burro.
- Você quer ser presa, mocinha?
- Tá aí. Estou pagando para ver.
 Chelsea saiu correndo, nua. Agarrou suas roupas, e continuou a correr sem rumo decido. Chelsea imaginava que na manhã seguinte os jornais estariam falando da louca que saiu correndo por Nova Iorque pelada. Mas, para tristeza dela, ela foi surpreendida por uma viatura, que sem hesitar atirou sua arma de choque, electrocutando-a, até ela desmaiar.

 Chelsea foi acordar em uma sala de interrogação, com novas roupas: uma camiseta amarela e suja que parecia mais um vestido no corpo de Chelsea. Uma calça moletom. E chinelos.
- Então ela acordou... Qual é o seu nome, mocinha? - um velho se sentou em uma poltrona executiva, analisando Chelsea. Aparentemente o delegado. Ele tinha um bigode nojento e os olhos inchados, cheios de ramela.
- Chelsea Fiore. E você, "galã"? 
- Me chamo Benevides. E, não precisa usar ironias. - arqueou as sobrancelhas. Encarou Chelsea.
- Magina!, que ironias?
- Comportem-se. - a assistente interrompeu a conversa. Ela era incrivelmente bonita. Seu cabelo loiro comprido ia até a cintura, enrolado. Seus olhos azuis claros eram penetrantes e suaves. Sua pele era notavelmente macia.
- Está um calor horrendo! - Chelsea tentou chamar a atenção, e distraí-los.
- É, minha filha. Mas, enfim. Vamos lá! O que você queria fazer nua? Onde já se viu tomar banho em um lago! Cadê os seus pais?! - Benevides falou. Chelsea parecia chateada.
- Eu não tenho pai, nem mãe. - Retrucou ela. As duas autoridades se comoveram, fitando-a com os olhos cheios de lágrimas.
- Tolos. - Chelsea soltou um sorriso melancólico. Em seguida, concentrou seus poderes, e fez ambos ficarem "cegos", enxergando tudo preto. - Adeus.
 Eles tentavam sair do encanto, mas não conseguiam. Chelsea pegou um fósforo, que estava na escrivaninha da delegacia. Em seguida, acendeu-o, e tacou fogo nos papeis. Ela saiu correndo, e se transformou em pura escuridão, escapando furtivamente do local, com êxito total. Após alguns minutos, ouvia-se um "BOOM", e a delegacia explodiu, deixando um cenário lindo, atrás de Chelsea, que estava com os cabelos avoaçados dançando no vento, à frente da delegacia, que era tomada por chamas.
 Novamente, ela se encontrava correndo, fugindo da confusão que arrumara.