Capítulo 2: Entrei no campo inimigo
Chelsea foi parar no Brooklyn, bem distante do Central Park.
- Como que...? Argh, que cansaço.
- Você jura que não sabe? - um garoto de cabelos cacheados, calça cumprida, sapatos longos e redondos, que fez Chelsea pensar que ele devia gastar uma grana para vestir seus pés, porque ele teria que mandá-los fazer.
- Ãhn?
- Você jura que não sabe? - repetiu o garoto, acariciando sua barba curta.
- Hey, eu entendi o que falou! Só queria saber o porque desta pergunta!, afinal, quem é você para se meter na minha vida, feioso? - mudou seu semblante, tornando-o nervoso. Fitou o garoto, com desdém. Mediu-o.
- Ora, ora! Que falta de educação! - o garoto encarou Chelsea, nervoso. Cruzou os braços.
- Vai se danar, feioso. Aí, você tem um trocado?
- Porquê?
- Porque eu estou mandando, que saco! - Chelsea foi até o garoto, colocou seu cotovelo no cangote dele; pressionou-o - Qual é o seu nome?
- Greggorius. Greggorius Williams. E, me solte!
Chelsea apalpou os bolsos de Greggorius. De lá, retirou um punhado de moedas douradas, drácmas, e alguns dólares. Ao continuar a apalpá-lo, sentiu uma fofura em suas pernas. Então, ela brandou:
- Que nojo! Você não se depila?
- Ér... béé! Ops.
- Que cara maluco. Enfim, isso deve valer bastante - fitava as moedas douradas - e, já que tanto insiste, vou ficar com elas.
- Não! Eu preciso delas! Bééé!
- Para com este "Bééé!", que saco cara. Ou vai me obrigar arrancar suas cordas vocais; aí você não vai mais falar "Bééé!".
Chelsea soltou ele, e em seguida foi com os punhos cerrados à maça facial de Greggorius, que a impressionou, dando um salto para direita, e aplicando uma rasteira nela; o que a levou ao chão. Isso a deixou muito irritada. Chelsea não teve reação, ficou jogada no chão, sem saber o que houve, tentando entender o que ele fez.
- C...Como... ou...sa? - suas falas tornaram-se falhas, sua respiração fadiga, suas pálpebras pesadas; o garoto estaria tocando em uma flauta, e a melodia causou estas sensações.
Chelsea começou a sonhar, estava em Paris, em um restaurante francês fino. À frente de um casal, que vestia roupas bem antiquadas. Eles conversavam, apaixonadamente. Chelsea percebia algumas semelhanças entre eles e ela. Sua cabeça doía, mentalmente. Ela tentava se lembrar de algo. Queria gritar. Tentou chamar a atenção deles, dando tapas. Mas, os tapas iam ao vácuo, como se o casal fosse etéreo. Enfim, Chelsea resolveu prestar atenção na conversa.
- ... eu estou grávida. E, isto pode ser um grande problema ou uma salvação à mim, e o restante. Estou fugitiva há algumas semanas. Se não notaram minha ausência, irão notar logo. E, isto pode trazer perigos à mim, ao nosso filho, e a você. - a mulher de cabelos negros e olhos penetrantes negros iniciou o diálogo.
- Que ótimo! Vou ser pai. Isto é.. incrível! Sempre...
- .. Jared Fiore! Acorde! Você não é uma criança. Sabe o que este filho pode trazer à nós: perigo, ou salvação. Preciso permanecer escondida. Irei sumir durante um tempo. Não voltarei. Só irei voltar quando o parto acontecer. Enfim.
- Não! Eu não admito! Eu vou junto! - protestou Jared.
- Não, amor. É melhor assim. Você tem que entender. Este é o melhor para ele, ou ela.
- Por favor! - insistiu Jared.
A mulher sumiu, perante Jared. Não sabia o que os humanos acharam daquilo. O que a névoa fez. Mas, todos ficaram de pé, e aplaudiram. Jared chorava. Mas, de uma coisa Chelsea tinha certeza: aqueles eram os seus pais.
Chelsea acordou. Ela estava em um quarto simples, rodeada de garotos e garotas, com alguns equipamentos medicinais, e algumas ervas.
- Eu disse que um pouco de ambrosia resolveria tudo! - brandou um dos garotos, erguendo o braço direito, com orgulho de si mesmo.
- Cala a boca, Kevin! - a garota de cabelos dourados e encaracolados jogou sua cabeça, lançando os cabelos ao vento.
- Parem de discutir!, que saco. Se não pararem, eu mesmo vou obrigá-los a parar!
- Nossa, "esquentadinha". Ui! - brandou Kevin, com um sorriso malicioso no rosto.
- Você ainda não viu nada, babaca. Se eu fosse você, eu calaria a sua maldita boca. - brandou Chelsea, se levantando da maca, com os punhos cerrados e as sobrancelhas arqueadas, intimidando-os.
- Calma, calma! - Kevin e o restante dos garotos e garotas se afastaram, boquiabertos - Filhos de Apolo são assim, brincalhões, é..
- Tanto faz. - retrucou Chelsea.
O que Chelsea não havia percebido, é que eles trocaram suas roupas. Ela vestia um shorts surrado, e uma camisa laranja com o letreiro: "Half-Blood". Seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo, e sua pele estava limpa, sem qualquer sujeira.
- O que fizeram comigo? - perguntou Chelsea, nervosa pelo seu estado extremamente feminino.
- Ah, sabe.. os filhos de Hebe com os filhos de Afrodite fazem um bom trabalho, não acha? - uma garota incrivelmente bela entrou pela porta, com sua roupa lisa, sem quaisquer defeito, cabelo liso até o ombro, e olhos azuis claros. Sua pele não tinha defeitos, nem uma acne ou qualquer outra coisa que as adolescentes teriam.
- Nossa, que patricinha. Quem é essa aí? - pergunto Chelsea, com um tom irônico.
- "Essa aí" tem nome. E o nome é Susan. - a garota falou, em um tom suave e sedutor. Os garotos suspiravam de paixão, ao ouvir sua voz doce e sedutora, e seu corpo extremamente invejado.
- Foda-se, eu não quero saber seu nome. Sua.. sua... - Chelsea pensou que xingamento poderia achar para ofender uma pessoa extremamente linda.
- Sem argumentos, né fofinha? - Susan era provocante. Ela pegou um gloss de melancia dos bolsos, e passou nos lábios, o que levou os garotos à loucura.
- Sua... patricinha ridícula! Lacraia de purpurina! - brandou Chelsea, batendo as mãos na maca.
Chelsea se levantou da maca, indo contra Susan, com os punhos cerrados, e os olhos vidrados. Todos começaram a gritar, entusiasmados com uma possível briga que estaria para acontecer.
- Nossa, que bruta. Tinha que ser, hihi. - Susan deu um tapa em seu cabelo, lançando-o para trás.
- Eu vou deixar sua cara bem bonita.. sua patricinha!
Chelsea partiu contra Susan. Susan retirou de seu coldre um chicote, impactando-o contra os pés de Chelsea, laçando-o. Em seguida, puxou o chicote, levando Chelsea para o chão.
- Argh!
- Não tem experiencia com batalhas, né amor? - Susan deslizou a ponta de sua língua nos lábios, molhando-os. Com isto, arrancou mais suspiros dos garotos - Quer retocar a maquiagem? Posso te ajudar, se quiser. Hihi.
- Não? Você vai ver!
Antes que Chelsea pudesse retrucar, um sátiro entrou no local, sibilando loucamente.
- Mocinhas! Parem, como ousam? Susan, já para o chalé de 10 (dez)! Bééé! - o menino-bode ordenou que Susan se retirasse, tentando se proteger de seus feitiços mentais.
- Argh, Norman!
- Já, já, já. - gritou Norman, e após sibilou: - Bééé!
- Bom, garota.. qual é o seu nome?
- Chelsea. Chelsea Fiore!
- Hm, belo nome. Enfim, aqui é o Acampamento Meio-Sangue.
Chelsea olhou o garoto com atenção, com desdém. Ela notou que ele não usava calças, e teria pelos. Seria metade bode.
- O que é você? - perguntou Chelsea.
- Eu sou um Sátiro. Um ser da natureza. Ainda sou inexperiente, só sirvo para buscar os semideuses. Mas, eu tenho certeza que no futuro vou me juntar ao Conselho do Casco Fendido! - confiante, Norman falava de seu sonhos; seus olhos enxiam de lágrimas.
- Hm, é bom sonhar. - murmurou Chelsea.
- Ahn? O que disse?
- Ah, nada. Esquece.
- Tá. Bééé.
- Para com esse "bé", que chato.
- Tá, bé. Vou te mostrar o acampamento, béé?
- Tanto faz. - se retirou da enfermaria, empurrando as portas com tudo. Olhou com vislumbre o exterior da enfermaria, os diversos seres: centauros, náiades, dríades. Os campistas que andavam pra lá e pra cá. As grandes construções - Isto é.... - mas, uma voz falou em sua mente que ela não devia confiar neles. Que aquele não era o seu lugar - .. ridículo.
- Nossa! Achei que ia gostar. Béé! Você tem quantos anos?
- 14 (catorze).
- Ué, já devia ter sido reclamada. Quer dizer, você sabe quem é o seu pai divino?, ou mãe.
- Não. Não sei. Quer dizer, meu pai é o Jared Fiore. Mas, minha mãe eu não sei.
- Hm, Jared Fiore... não é um Deus. Então, sua mãe que deve ser uma Deusa.
- Claro, né.
Norman contou sobre os Deuses, e sobre a função do acampamento. Chelsea não parecia surpresa.
- De alguma forma, eu sei disso. Não precisa continuar a contar. Mas enfim, onde eu vou dormir? Estou com sono, cara.
- Você dormirá no chalé 11 (onze). É lá que os não-reclamados vão. - Norman ditou à ela. Em seguida, levou-a à região dos chalés, apontando com o dedo indicador o chalé onze. Ele teria um caduceu, que ganhava destaque. Sua parede era surrada.
- Nossa, que porcaria. Mas, beleza.
Chelsea entrou no chalé, que estava vazio. Os outros semideuses estavam fazendo suas atividades diárias. Ela se sentou em uma das camas, pensativa.
Eu sinto que aqui não é o meu lugar. Que isto não me levará a minha missão. Mas, também sinto que aqui será o local onde aprenderei à executar minha missão. Que confuso! pensou Chelsea, tentando se lembrar de algo de seus sonhos, que possa ser a chave para este mistério.
Depois de um tempo, a garota fitou um cartaz velho, e rasurado, que descrevia as atividades do acampamento. Às 14:30, daqui à, aproximadamente, uma hora teria Caça a Bandeira.